Existe tubarão de água doce? Veja espécies e como sobrevivem

Você pode encontrar tubarões em água doce — mas eles são raros e têm adaptações especiais para viver em rios e lagos.

Algumas espécies conseguem regular o sal no corpo e nadam longas distâncias do mar para habitats doces, como o Amazonas e o Lago Nicarágua.

Existe tubarão de água doce? Veja espécies e como sobrevivem

Ao longo do texto, você vai entender como esses tubarões sobrevivem fora do oceano.

Também vai conhecer as espécies que realmente aparecem em água doce.

O que são tubarões de água doce e como eles sobrevivem

Ilustração de tubarões de água doce nadando em um rio com plantas aquáticas e peixes ao redor.

Esses tubarões vivem em rios, estuários e lagos porque desenvolveram mudanças no corpo para controlar sal e água.

Você vai ver como eles se adaptam, em que diferem dos tubarões marinhos e onde costumam ser encontrados.

Adaptações fisiológicas e osmorregulação

Tubarões como o Carcharhinus leucas (tubarão-touro ou tubarão-cabeça-chata) regulam a salinidade interna para suportar água doce e salgada.

Eles usam rins, guelras, fígado e a glândula retal para manter o equilíbrio de sais e água no corpo.

Em água doce, esses tubarões reduzem a perda de sais e produzem urina bem diluída.

Na água salgada, eles concentram ureia e outros solutos para reter água.

Esse processo, chamado osmorregulação, permite que eles se movam entre rios e o mar.

Algumas espécies mudam o comportamento também.

Elas buscam estuários e manguezais, que têm salinidade variável, para se alimentar e dar à luz.

Essas áreas acabam funcionando como berçários, oferecendo proteção e comida para os filhotes.

Diferenças entre tubarões marinhos e de água doce

A grande diferença está na capacidade de osmorregulação.

Tubarões marinhos mantêm alta concentração de ureia para equilibrar a água salgada.

Já tubarões de água doce ajustam essa concentração e excretam mais água para evitar inchaço celular.

No geral, a morfologia é parecida: peixes cartilaginosos, esqueleto de cartilagem, dentes afiados, linhas laterais sensoriais.

Mas espécies diádromas, como o tubarão-touro, toleram uma variação enorme de salinidade.

Outras só visitam água doce por um tempo e depois voltam ao mar.

O comportamento e a reprodução também mudam bastante.

Muitos tubarões de água doce usam fozes de rios e estuários para nascer.

Isso reduz o risco de predadores nos filhotes e facilita o acesso a presas de água doce.

Distribuição geográfica e habitats típicos

Você encontra tubarões de água doce em várias regiões tropicais e subtropicais.

Dá pra citar rios da África, América do Sul e Ásia, como o Ganges, o Amazonas e até relatos no sistema do Mississippi.

Esses bichos gostam de estuários, baías costeiras, manguezais, rios e lagos perto do litoral.

Manguezais e fozes oferecem salinidade variável e muita comida, o que é ótimo para filhotes.

Algumas espécies, como o tubarão-touro, nadam centenas de quilômetros rio acima.

Outras migram entre água doce e salgada conforme a estação.

A presença deles depende de fatores locais: salinidade, temperatura, poluição e oferta de presas.

Principais espécies de tubarões de água doce ao redor do mundo

Você vai encontrar três grupos principais: o tubarão-cabeça-chata, espécies do gênero Glyphis, e alguns casos especiais como o peixe-serra e populações isoladas em lagos e rios tropicais.

Cada grupo tem adaptações e distribuições diferentes, o que explica por que aparecem em água doce.

Tubarão-cabeça-chata e sua presença em rios

O tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), também chamado de tubarão-touro, é o mais conhecido por entrar em água doce.

Ele pode chegar a uns 3 metros e nada de estuários para rios grandes.

Você vê populações em lugares como o Rio Amazonas e o Lago Nicarágua, onde alguns indivíduos vivem muito tempo em água totalmente doce.

Esse tubarão regula os sais no corpo, então consegue ir do mar ao rio numa boa.

Ele caça de tudo um pouco: peixes, pequenos mamíferos aquáticos, não é exigente.

Como é comum em áreas costeiras tropicais da América do Sul, África e Austrália, ele se tornou o exemplo mais famoso de tubarão marinho que aguenta água doce.

Gênero Glyphis: tubarão-do-Ganges, tubarão-do-rio, e espécies raras

O gênero Glyphis reúne espécies raras adaptadas a rios turvos e estuários.

Entre elas estão o tubarão-do-Ganges (Glyphis gangeticus) e o tubarão-do-rio (Glyphis glyphis).

Esses tubarões vivem principalmente na Índia, Sudeste Asiático, Malásia e Norte da Austrália.

Ninguém vê esses bichos com facilidade por causa da água turva e do comportamento recluso.

Eles têm distribuição bem localizada e quase não aparecem em registros científicos.

Por isso, muitas espécies estão criticamente ameaçadas.

A pesca, a perda de habitat e a poluição dos grandes rios — como os da Índia — são ameaças sérias.

Você dificilmente vai encontrar registros visuais, então quase tudo que se sabe sobre eles vem de capturas acidentais e estudos genéticos.

Outras espécies e casos notáveis de tubarões em água doce

Alguns casos notáveis não pertencem ao gênero Carcharhinus ou Glyphis, mas ainda mostram uma diversidade interessante. O peixe-serra (Pristis pristis), por exemplo, costuma nadar em grandes rios como o Amazonas e o Orinoco.

Esse peixe chega a vários metros de comprimento e usa seu “sabre” para capturar presas. É uma cena meio surreal, não dá pra negar.

Populações isoladas, como os tubarões do Lago Nicarágua, mostram que barreiras geográficas às vezes criam populações de água doce que conseguem se manter por gerações.

Você também encontra relatos do chamado tubarão-dente-de-lança, ou tubarão-lança, em rios da Austrália e de Papua Nova Guiné. Não dá pra esquecer: tubarões famosos, tipo o tubarão branco ou o tubarão-baleia, são estritamente marinhos.

O tubarão-baleia, aliás, prefere filtrar plâncton no oceano e não se aventura em rios. Talvez nem faria sentido pra ele, né?

Rossandro Calado

Sou um estudioso de temas variados como cultura, esportes, saúde e história. Com formação em engenharia elétrica, meu passatempo preferido sem dúvida é escrever para a internet.