Quando investir em FIIs ou em ações de construção civil?

FIIs e construtoras oferecem exposição ao mercado imobiliário pela Bolsa, mas funcionam de formas diferentes e respondem de maneira distinta aos ciclos da economia.

Na Bolsa de Valores, investidores encontram diferentes alternativas para se expor ao mercado imobiliário, principalmente por meio dos Fundos Imobiliários (FIIs) e das ações de empresas de construção civil.

Embora ambos estejam ligados ao universo imobiliário, as dinâmicas são bastante diferentes. Os FIIs costumam atrair investidores em busca de renda recorrente, enquanto as ações de construtoras e incorporadoras tendem a chamar atenção pelo potencial de valorização no longo prazo.

Na prática, a escolha entre um e outro depende de fatores como objetivos financeiros, tolerância ao risco, horizonte de investimento e momento econômico.

Quando investir em FIIs ou em ações de construção civil?
Quando investir em FIIs ou em ações de construção civil?

Nesse cenário, empresas do setor de incorporação listadas na Bolsa, como a Cyrela, dona das ações CYRE3, aparecem entre os exemplos mais acompanhados por investidores que buscam exposição ao segmento de construção civil.

O comportamento desses ativos costuma ser bastante influenciado por juros, inflação e condições de crédito da economia brasileira.

Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e não constitui uma recomendação de investimento.

FIIs e ações de construção: entenda a diferença

A principal diferença está na forma como cada ativo gera retorno para o investidor.

Os FIIs funcionam como fundos que investem em imóveis físicos, como galpões logísticos, shoppings, escritórios e hospitais, ou em títulos ligados ao setor imobiliário. Por força da legislação, os FIIs devem distribuir, no mínimo, 95% dos lucros apurados em regime de caixa, observadas as regras aplicáveis.

Por isso, muitos investidores enxergam os FIIs como instrumentos voltados à geração de renda passiva.

As ações de construção civil representam participação em empresas que atuam com incorporação, desenvolvimento e venda de imóveis. Nesse caso, o retorno costuma depender mais do crescimento dos negócios, aumento dos lançamentos, expansão das vendas e valorização das ações ao longo do tempo.

Enquanto muitos FIIs apresentam maior previsibilidade na geração de rendimentos, as construtoras tendem a registrar oscilações maiores na Bolsa.

Perfil do investidor muda a escolha

Investidores que priorizam geração de caixa recorrente costumam olhar os FIIs com mais atenção. Muitos fundos distribuem rendimentos mensais e ajudam quem busca complementar renda ou construir fluxo financeiro periódico.

Determinados FIIs apresentam menor volatilidade quando comparados a ações do setor imobiliário. Por outro lado, investidores com foco maior em crescimento patrimonial podem se interessar pelas ações de construtoras.

Empresas do segmento podem registrar ciclos de forte valorização quando o mercado imobiliário aquece, principalmente em momentos de expansão econômica e queda dos juros.

No entanto, o risco operacional é maior. Custos de construção, atrasos em projetos, aumento da inadimplência e mudanças no crédito imobiliário podem afetar diretamente os resultados das companhias.

Como a Selic influencia cada segmento?

A taxa Selic exerce influência direta nos FIIs e nas ações de construção civil, mas de formas diferentes.

Quando os juros estão elevados, a renda fixa se torna mais competitiva, o que costuma reduzir o interesse por ativos imobiliários na Bolsa. Nesse cenário, alguns FIIs podem sofrer pressão nos preços das cotas.

Ao mesmo tempo, juros altos encarecem o crédito imobiliário e dificultam financiamentos, afetando vendas e lançamentos das construtoras.

Em ciclos de queda da Selic, o cenário tende a mudar. Com financiamentos mais baratos e maior estímulo econômico, o setor de construção civil costuma ganhar força. Isso pode beneficiar empresas do segmento, principalmente aquelas mais expostas à média e alta renda.

Os FIIs também podem se beneficiar desse ambiente, especialmente os fundos de tijolo, já que juros menores costumam aumentar a atratividade relativa da renda imobiliária.

O impacto da inflação e do INCC

Outro indicador importante para o setor é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

Esse índice mede a variação dos custos da construção civil e influencia as margens das incorporadoras.

Quando o INCC sobe de forma intensa, os custos com materiais, mão de obra e obras aumentam, pressionando a rentabilidade das empresas.

Nos FIIs, a inflação exerce impacto de maneira diferente. Muitos contratos de aluguel são corrigidos por índices inflacionários, como IPCA ou IGP-M, o que pode ajudar alguns fundos a preservar receitas em cenários inflacionários.

Ainda assim, a inflação elevada costuma vir acompanhada de juros altos, o que afeta o desempenho dos ativos imobiliários na Bolsa.

Quando FIIs podem fazer mais sentido?

Os FIIs costumam ganhar destaque em estratégias voltadas para renda recorrente e diversificação patrimonial.

Investidores que valorizam previsibilidade de fluxo financeiro, menor necessidade de acompanhar resultados corporativos e exposição indireta ao mercado imobiliário frequentemente se interessam por esse tipo de ativo.

Além disso, fundos imobiliários permitem acesso a grandes empreendimentos com valores menores do que seria necessário para aquisição direta de imóveis.

Quando ações de construção podem ganhar espaço?

As ações de construtoras normalmente ganham relevância em momentos de recuperação econômica, queda de juros e aumento da demanda imobiliária.

Nesses períodos, o mercado passa a projetar crescimento de vendas, expansão de lançamentos e melhora dos resultados financeiros das empresas.

Ao mesmo tempo, o potencial de valorização costuma vir acompanhado de volatilidade mais elevada.

Por isso, muitos investidores utilizam uma combinação entre FIIs e ações de construção civil como forma de equilibrar geração de renda, crescimento patrimonial e diversificação no próprio setor imobiliário.

Rossandro Calado

Sou um estudioso de temas variados como cultura, esportes, saúde e história. Com formação em engenharia elétrica, meu passatempo preferido sem dúvida é escrever para a internet.